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50 ditados populares e suas origens

Eis uma coletânea de expressões que a gente usa em bate-papos com amigos mas não sabe de onde elas procedem e qual o seu significado.

Muitos dessas expressões – ou ditados populares – são antigas e se incorporaram ao nosso linguajar, com algumas pequenas alterações feitas ao longo do tempo.

Tome nota:

Do arco-da-velha

Coisas do arco-da-velha são coisas inacreditáveis, absurdas. Arco-da-velha é como é chamado o arco-íris em Portugal, e existem muitas lendas sobre suas propriedades mágicas. Uma delas é beber a água de um lugar e devolvê-la em outro.

Fazer nas coxas

As primeiras telhas das casas brasileiras eram feitas de argila, que eram moldadas nas coxas dos escravos que vieram da África.

Como os escravos variavam de tamanho e porte físico, as telhas ficavam todas desiguais devido as diferentes tipos de coxas. Daí a expressão fazendo nas coxas, ou seja, de qualquer jeito.

Até aí morreu Neves

Joaquim Pereira Neves, assessor do Padre Feijó, teve uma morte horrível, sendo decapitado por índios. Não se falava mais nada na Capital a não ser na morte do Neves. O episódio encheu tanto a paciência do povo, que começaram a dizer: Até ai morreu o Neves, ou seja, quero novidades.

Quem não tem cão caça com gato

Significa que se você não pode fazer algo de uma maneira, se vira e faz de outra. Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia quem não tem cão caça como gato, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

Da pá virada

Um sujeito da pá virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio. A origem do ditado refere-se à ferramenta pá. Quando ela está virada para baixo, é inútil não serve para nada. Hoje em dia, de pá virada tem outro sentido. Tem a ver com uma pessoa de maus instintos e criadora de casos.

Deixar de Nhenhenhém

Significa conversa interminável em tom de lamúria, irritante, monótona. Resmungo, rezinga. Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os índios não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses estavam cheios de nhen-nhen-nhen.

Pensando na morte da bezerra

Significa estar distante, pensativo, alheio a tudo. Como se sabe, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificado para Deus num altar.

Quando Absalão, por não ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se opôs. Em vão.

A bezerra foi oferecida aos céus e o garoto passou o resto da vida sentado do lado do altar pensando na morte da bezerra. Consta que meses depois veio a falecer.

Não entender patavina

Significa não saber nada sobre determinado assunto. Nada mesmo. A origem do termo remonta ao filósofo romano Tito Lívio, natural de Patavium (hoje Pádova, na Itália).

Ele falava um Latim horroroso, originário de sua região. Nem todos o entendiam. Daí surgiu o Patavinismo, que originariamente significava não entender Tito Lívio, não entender patavina.

Salvo pelo gongo

O ditado tem origem na na Inglaterra. Lá, antigamente, não havia espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados para o ossário e o túmulo era utilizado para outro infeliz.

Só que, às vezes, ao abrir os caixões,os coveiros percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo (catalepsia – muito comum na época).

Assim, surgiu a idéia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada num sino.

Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Desse modo, ele seria salvo pelo gongo.

Atualmente, a expressão significa escapar de se meter numa encrenca por uma fração de segundos.

Elefante branco

A expressão vem de um costume do antigo reino de Sião, situado na atual Tailândia, que consistia no gesto do rei de dar um elefante branco aos cortesãos que caíam em desgraça.

Sendo um animal sagrado, não podia ser posto a trabalhar. Como presente do próprio rei, não podia ser vendido. Matá-lo, então, nem pensar.

Não podendo também ser recusado, restava ao infeliz agraciado alimentá-lo, acomodá-lo e criá-lo com luxo, sem nada obter de todos esses cuidados e despesas.

Daí o ditado significar algo que se tem ou que se construiu, mas que não serve para nada.

Aquela que matou o guarda

Tratava-se de uma mulher que trabalhava para D. João VI e se chamava Canjebrina, que, como informam os dicionários, significa pinga, cachaça.

Ela teria matado um dos principais guardas da corte do Rei. O fato não foi provado. Mas está no livro Inconfidências da Real Família no Brasil, de Alberto Campos de Moraes.

Sangria desatada

Diz-se de qualquer coisa que requer uma solução ou realização imediata. Esta expressão teve origem nas guerras, onde se verificava a necessidade de cuidados especiais com os soldados feridos.

É que, se por qualquer motivo, se desprendesse a atadura posta sobre as feridas, o soldado morreria, por perder muito sangue.

Colocar panos quentes

Significa favorecer ou acobertar coisa errada feita por outro. Em termos terapêuticos, colocar panos quentes é uma receita, embora paliativa, prescrita pela medicina popular desde tempos remotos.

Recomenda-se sobretudo nos estados febris, pois a temperatura muito elevada pode levar a convulsões e a problemas daí decorrentes.

Nesses casos, compressas de panos encharcados com água quente são um santo remédio. A sudorese resultante faz baixar a febre.

Cor de burro quando foge

A frase original era Corra do burro quando ele foge. Tem sentido porque, o burro enraivecido, é muito perigoso. A tradição oral foi modificando a frase e corra acabou virando cor.

Pagar o pato

A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste.

Quem perdia era que pagava pelo animal sacrificado. Sendo assim, passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem ter qualquer benefício em troca.

De pequenino é que se torce o pepino

Os agricultores que cultivam os pepinos precisam de dar a melhor forma a estas plantas. Retiram uns olhinhos para que os pepinos se desenvolvam.

Se não for feita esta pequena poda, os pepinos não crescem da melhor maneira porque criam uma rama sem valor e adquirem um gosto desagradável.

Assim como é necessário dar a melhor forma aos pepinos, também é preciso moldar o caráter das crianças o mais cedo possível.

Mais vale um pássaro na mão que dois voando

Significa que é melhor ter pouco que ambicionar muito e perder tudo. É tradição de antigos caçadores.

Eles achavam melhor apanhar logo a ave que tinham atingido de raspão, antes que ela fugisse, do que tentar atirar nas que estavam voando e errar o alvo.

Apressado come cru

Quando não existia o forno microondas, era preciso muito tempo para a comida ficar pronta, ou então comê-la crua.

Nessa época, a culinária japonesa ainda não estava na moda e comida crua era vista com maus olhos. Assim, a expressão passou a ser usada para significar afobamento, precipitação.

Chorar as pitangas

Pitangas são deliciosas frutinhas cultivadas e apreciadas em todo o país, especialmente nas regiões norte e nordeste do país. A palavra deriva de pyrang, que, em tupi-guarani, significa vermelho.

Sendo assim, a provável relação da fruta com lágrimas, vem do fato de os olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas, quando se chora muito.

Farinha do mesmo saco

Homines sunt ejusdem farinae. Esta frase em latim (homens da mesma farinha) é a origem
dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável.

Como a farinha boa é posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa comparação para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

Bicho-de-sete-cabeças

Tem origem na mitologia grega, mais precisamente na lenda da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das doze proezas realizadas por Hércules.

A expressão ficou popularmente conhecida, no entanto, por representar a atitude exagerada de alguém que, diante de uma dificuldade, coloca limites à realização da tarefa, até mesmo por falta de disposição para enfrentá-la.

Com o rei na barriga

A expressão provém do tempo da monarquia em que as rainhas, quando grávidas do soberano, passavam a ser tratadas com deferência especial, pois iriam aumentar a prole real e, por vezes, dar herdeiros ao trono, mesmo quando bastardos. Em nossos dias refere-se a uma pessoa que dá muita importância a si mesma.

Ver (ou adivinhar) passarinho verde

Significa estar apaixonado. O passarinho em questão é uma espécie de periquito verde. Conta uma lenda que alguns românticos rapazes do século passado adestravam o bichinho para que ele levasse no bico uma carta de amor para a namorada.

Assim, o casal de apaixonados tinha grandes chances de burlar a vigilância de um paizão ranzinza.

Pôr a carapuça

Na época da Santa Inquisição, os condenados eram obrigados a vestir trajes ridículos para comparecer aos julgamentos.

Além de usarem uma túnica com o formato de um poncho, precisavam colocar sobre a cabeça um chapéu longo e pontiagudo, conhecido como carapuça. Daí a expressão pôr a carapuça ou assumir a culpa.

Surdo como uma porta

Os antigos romanos faziam oferendas à deusa porta, suplicando-lhe favores. Beijavam-na, olhavam-na com lágrimas, perfumavam-na e enfeitavam-na com flores quando os pedidos eram atendidos.

Quando, porém, a porta se mostrava surda às solicitações, era ofendida com diversos impropérios que visavam castigar sua surdez. O costume foi registrado pelo escritor romano Festus, no século 4.

Quintos dos infernos

Durante o século 18, os portugueses cobravam diversos impostos no Brasil, entre os quais a quinta parte (20%) de todo o ouro extraído.

Depois da coleta, esses impostos – chamados de quintos- eram enviados para Portugal. O povo da metrópole, que achava que o Brasil ficava no fim do mundo, dizia: “Lá vem a nau dos quintos dos infernos”.

Vira-casaca

Carlos Manuel III, duque de Savóia e rei da Sardenha, sempre ameaçado, ora pela Espanha, ora pela França, usava as cores nacionais de uma dessas nações, de acordo com a aliança do momento.

Daí chamar de vira-casaca a pessoa que muda frequentemente de opinião, de partido político, de idéias,
conforme a conveniência própria.

Negócio da China

A expressão foi criada durante o século 19, época em que a Inglaterra dominou o comércio de ópio na China. A concessão de Hong Kong à Inglaterra após a Guerra do Ópio deu uma conotação ainda mais clara à expressão.

Afinal, além de se compensarem por uma guerra que injustamente provocaram, os ingleses abocanharam parte do território chinês transformando-o numa ponta de lança permanente do Império Britânico na região.

Com a revolução chinesa, negócio da China passou a designar toda e qualquer relação comercial proveitosa apenas para uma das partes.

Pior a emenda do que o soneto

Certo candidato a escritor apresentou um soneto de sua autoria ao poeta português Manuel Maria Barbosa
du Bocage, pedindo-lhe que marcasse com cruzes os erros encontrados.

Bocage leu tudo, mas não marcou cruz nenhuma, alegando que elas seriam tantas que a emenda ficaria ainda pior do que o soneto.

A expressão ficou na boca do povo como alusão a alguém que, ao corrigir um erro cometido, em vez de melhorá-lo, piorou-o.

Dar de mão beijada

Tem origem no ritual das doações ao rei ou ao papa. Em cerimônia de beija-mão, os fiéis mais abastados faziam as suas ofertas, que podiam ser terra, prédios e outras dádivas generosas. Desde então, a expressão simboliza favorecimentos.

Batismo de fogo

Ao condenar os hereges à fogueira, a Santa Inquisição sustentava que não tendo eles sido batizados com água benta, faziam ali o seu batismo de fogo.

E os que os condenavam ainda garantiam que os réus faziam um bom negócio ao trocar as labaredas eternas do Inferno por umas chamuscadelas que apenas os levariam desta vida.

A expressão mudou de sentido, no século 19, quando Napoleão III a usou para se referir aos que entravam em combate pela primeira vez.

Hoje, Batismo de Fogo significa qualquer situação crítica em que alguém têm de apresentar um bom desempenho.

Cheio de nove horas

Nove horas era a hora clássica do século 19, que regulava o final das visitas e ditava o momento das despedidas.

A expressão surgiu nessa época para designar alguém que ditava regras de conduta e restringia as alegrias dos outros, complicando as coisas mais simples.

Pôr em pratos limpos

Quando, em 1765, foi aberto o primeiro restaurante, na França, estabeleceu-se que a conta seria paga após a pessoa comer, ao contrário do que depois veio a acontecer com os lanches rápidos.

Quando o garçom vinha cobrar a conta e o cliente ainda não havia feito a sua refeição, os pratos limpos eram a prova que ele nada devia. Atualmente, significa esclarecer uma situação nebulosa.

Jurar de pés junto

.

A expressão surgiu das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para confessar seus crimes.

Testa de ferro

O Duque Emanuele Filiberto di Savoia, conhecido como Testa di Ferro foi rei de Chipre e Jerusalém. Mas tinha somente o título e nenhum poder verdadeiro. Daí a expressão ser atribuída a alguém que aparece como responsável por um negócio ou empresa sem que o seja efetivamente.

Erro crasso

Na Roma antiga, o poder era dividido por três pessoas. O primeiro triunvirato era constituído pelos generais Caio Júlio, Pompeu e Crasso. Este último foi incumbido de atacar um pequeno povo chamado Partos.

Confiante na vitória, resolveu abandonar todas as formações romanas clássicas e simplesmente atacar. Ainda por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca visibilidade.

Os partos, mesmo em menor número, conseguiram vencer os romanos, sendo que Crasso foi um dos primeiros a morrer. Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar, mas comete um erro estúpido, dizemos que se trata de um erro crasso.

Lágrimas de crocodilo

O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima. Daí a expressão significar choro fingido. Fila indiana

Tem origem na forma de caminhar dos índios americaos, que, desse modo, encobriam as pegadas dos que iam na frente.

A toque de caixa

A caixa é o corpo oco do tamborue foi levado para a a Europa pelos árabes. Como os exercícios militares eram acompanhados pelo som de tambores, dizia-se que os soldados marchavam a toque de caixa.

Atualmente refere-se a uma tarefa que se tem de fazer rapidamente, eventualmente a mando de alguém ou mesmo à força.

Gato pingado

Esta expressão remonta a uma tortura procedente do Japão que consistia em pingar óleo fervente em cima de pessoas ou animais, especialmente gatos.

Existem várias narrativas ambientais na Ásia que mostram pessoas com os pés mergulhados num caldeirão de óleo quente.

Como o suplício tinha uma assistência reduzida, tal era a crueldade, a expressão gato pingado passou a significar pequena assistência sem entusiasmosou curiosidade para qualquer evento.

Queimar as pestanas

Antes do aparecimento da eletricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para iluminação. A luz era fraca e, por isso, era necessário colocá-las muito perto do texto quando se pretendia ler o que podia dar num mometo de descuido queimar as pestanas. Por essa razão, aplica-se àqueles que estudam muito.

Sem papas na língua

Significa ser franco, dizer o que sabe, sem rodeios. A expressão vem da frase castelhana no tener pepitas em la lengua.

Pepitas, diminutivo de papas, são partículas que surgem na língua de algumas galinhas, é uma espécie de tumor que lhes obstrui o cacarejo. Quando não há pepitas ( papas), a língua fica livre.

Maria vai com as outras

Dona Maria I, mãe de D. João VI (avó de D. Pedro I e bisavó de D. Pedro II), enlouqueceu de um dia para o outro. Declarada incapaz de governar, foi afastada do trono.

Passou a viver recolhida e só era vista quando saía para caminhar a pé, escoltada por numerosas damas de companhia. Quando o povo via a rainha levada pelas damas nesse cortejo, costumava comentar: Lá vai Dona Maria com as outras.

Atualmente aplica-se a expressão a uma pessoa que não tem opinião e se deixa convencer com a maior facilidade.

Santinha do pau oco

Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos século XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

Sem eira nem beira

Significa pessoas sem bens, sem posses. Eira é um terreno de terra batida ou cimento onde grãos ficam ao ar livre para secar. Beira é a beirada da eira. Quando uma eira não tem beira, o vento leva os grãos e o proprietário fica sem nada.

Na região nordeste este ditado tem o mesmo significado mas outra explicação. Dizem que antigamente as
casas das pessoas ricas tinham um telhado triplo: a eira, a beira e a tribeira como era chamada a parte mais alta do telhado.

As pessoas mais pobres não tinham condições de fazer este telhado triplo, então construíam somente a tribeira ficando assim sem eira nem beira.

Vá se queixar ao bispo

No tempo do Brasil colônia, por causa da necessidade de povoar as novas terras, a fertilidade na mulher era um predicado fundamental. Em função disso, elas eram autorizadas pela igreja a transar antes do casamento, única maneira de o noivo verificar se elas eram realmente férteis.

Ocorre que muitos noivinhos fugiam depois do negócio feito. As mulheres iam queixar-se ao bispo, que mandava homens atrás do fujão.

Cair no conto do vigário

Duas igrejas em Ouro Preto receberam um presente: uma imagem de santa. Para verificar qual das paróquias icaria com o presente, os vigários resolveram deixar por conta da mão divina, ou melhor, das patas de um burro.

Exatamente no meio do caminho entre as duas igrejas, colocaram o tal burro, para onde ele se dirigisse, teríamos a igreja felizarda.

Assim foi feito, e o vigário vencedor saiu satisfeito com a imagem de sua santa. Mas ficou-se sabendo mais tarde que o burro havia sido treinado para seguir o caminho da igreja vencedora. Assim, conto do vigário passou à linguagem popular como falcatrua, sacanagem.

Ficar a ver navios

O rei de Portugal, Dom Sebastião, morreu na batalha de Alcácer-Quibir, mas o corpo não foi encontrado. A partir de então (1578), o povo português esperava sempre o sonhado retorno do monarca salvador.

Lembremos que, em 1580, em função da morte de Dom Sebastião, abre-se uma crise sucessória no trono vago de Portugal.

A conseqüência dessa crise foi a anexação de Portugal à Espanha (1580 a 1640), governada por Felipe II. Evidentemente, os portugueses sonhavam com o retorno do rei, como forma salvadora de resgatar o orgulho e a dignidade da pátria lusa.

Em função disso, o povo passou a visitar com freqüência o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, esperando, ansiosamente, o retorno do dito rei. Como ele não voltou, o povo ficava apenas a ver navios. Ou seja, esperava em vão.

Dourar a pílula

Vem das farmácias que, antigamente, embrulhavam as pílulas em requintados papéis, para dar melhor aparência ao amargo remédio. Logo, dourar a pílula é melhorar a aparência de algo.

Chegar de mãos abanando

Os imigrantes, no século passado, deveriam trazer as ferramentas para o trabalho na terra. Aqueles que chegassem sem elas, ou seja, de mãos abanando, davam um indicativo de que não vinham dispostos ao
trabalho árduo da terra virgem. Portanto, chagar de mãos abanando é não carregar nada.

A voz do povo, a voz de Deus

As pessoas consultavam o deus Hermes, na cidade grega de Acaia, e faziam uma pergunta ao ouvido do ídolo. Depois o crente cobria a cabeça com um manto e saía à rua. As primeiras palavras que ele ouvisse eram a resposta a sua dúvida. Assim, a voz do povo, a voz de Deus.

Chato de galocha

Infelizmente, os chatos continuam a existir, ao contrário do acessório que deu origem a essa expressão. A galocha era um tipo de calçado de borracha colocado por cima dos sapatos para reforçá-los e protegê-los da chuva e da lama.

Por isso, há uma hipótese de que a expressão tenha vindo da habilidade de reforçar o calçado. Ou seja, o chato de galocha seria um chato resistente e insistente, explica Valter Kehdi, professor de Língua Portuguesa e Filologia da Universidade de São Paulo.

De acordo com Kehdi, há ainda a expressão chato de botas, calçados também resistentes, o que reafirma a idéia do chato reforçado.

Fontes: Na Boca do Povo, Wikipédia, Câmara Cascudo.

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1 to “50 ditados populares e suas origens”


  1. estou aqi porq minha prof de portugues mandou so isso kkkk
    vou tirar 10



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