reporternet
Blog de variedades com curiosidades e artigos sobre internet e tecnologia

A fotógrafa de si mesma. Nua e transando

Natacha Merrit é um desses megasucessos que somente o acaso ou uma decisão divina podem explicar. Desde criança, tinha um sonho: ser advogada. E tanto fez, que, aos 21 anos, foi estudar Direito na Sorbonne.

natacha_merrit

Na bagagem, levava uma câmara digital, para enviar à família, via Internet, imagens de suas aventuras como universitária.

Mas logo sentiu-se atraída pelo cotidiano das ruas parisienses – bêbados, prostitutas, modelos que posavam ao ar livre para capas de revistas não escapavam de seus cliques.

“Tudo isso tinha um quê de sensual que me fascinava”, ela revela.

E o que era apenas um hobby, virou paixão.Três anos depois, ela abandonava a faculdade e retornava à Califórnia, mais exatamente a São Francisco, a mais livre das cidades norte-americanas, onde nasceu e cresceu.

Conseguiu emprego num jornal. Nas horas vagas, as lentes de sua máquina focavam cenas de sexo: dela com ela mesma e dela com seus amigos – em quartos e banheiros de motéis.

Milhares de fãs

E não pense que ela queria preservar sua selvagem intimidade. Ao contrário, sua vontade era exiba-la ao mundo inteiro. Como? Só viu uma saída: construir um website.

Fez um, sóbrio, elegante. E divulgou-o. Em pouco tempo, milhões de voyeurs acessavam suas páginas e ela se transformou numa das mais festejadas personalidades online.

Mas a originalidade e efeitos especiais de sua obra chamaram a atenção também de mestres da fotografia erótica. O lendário Eric Kroll foi um deles.

Natacha mudou-se para Manhattan, os dois ficaram amigos e, certo dia, Eric apresentou-a ao editor Benedikt Taschen.

O resultado foi um ensaio que chegou as livrarias e vendeu, em menos de três meses, 500 mil exemplares. Taschen está eufórico:

“O livro mostra que a vida e arte são uma coisa só. Ele exprime toda a beleza da sexualidade e prova que ela pode tornar-se visualmente poderosa”, ele elogia.

Brinquedos sexuais

A carreira fulminante de Natacha Merrit lembra um pouco a de Cindy Sherman, que ficou famosa nos anos 80 por seus auto-retratos.

A diferença é que Cindy mascarava-se com focinhos de porco de plástico e seios de borracha, enquanto Natacha aparece naturalmente nua. E transando de tudo quanto é jeito – com homens, mulheres e brinquedos sexuais.

Por sinal, sua ousadia e irreverência geraram inveja e críticos ferozes, que a chamam de narcisista e aproveitadora – não é artista coisa nenhuma.

“Fotografo o que acho interessante, belo. Nesta fase de minha vida, o sexo é algo palpitante e muito ligado aos meus sentimentos”, ela se defende.

Natacha não dá a mínima se não a reconhecem como artista. Ela mesma não se vê como tal. Acha que suas fotos não têm nada demais, são apenas flagrantes de alcova, temperados com um pouco de sensibilidade.

“Penso da mesma forma que Alexander Liberman (premiado escultor e fotógrafo russo, naturalizado americano) quando ele disse que sua esposa era mais importante que suas criações. Acontece comigo. Minha realização como mulher está acima de todo o conteúdo do Digital Diaries”.

Entrevista surrealista

David Bowman, escritor e colunista do Salon.com, que a entrevistou recentemente, confessa que ficou meio sem graça com as respostas que ela deu às suas perguntas, quase todas provocantes. O diálogo entre os dois é mesmo curioso, às vezes meio nonsense. Veja estes trechos.

David Bowman – É verdade que você não é uma artista?

Natacha – Eu disse isso?

David Bowman – Sim, em seu livro você diz isso.

Natacha – Então, meu caro, não sou uma artista.

David Bowman – Eu nunca tive uma câmara digital. O que ela tem que uma câmara normal não tem?

Natacha- Eu jamais usei uma câmara normal, por isso não sei a diferença.

David Bowman – O que eu sei de fotografia é que a Kodachrome acentua as cores quentes como…

Natacha – Desconheço o que seja Kodachrome.

David Bowman – Você limita suas fotos a uma pornografia light ou vai além?

Natacha – O que é o limite para quem tem 24 anos de idade? Eu fotografo tudo, tudo o que aprecio. E não me restrinjo a imagens eróticas. Meus gostos e meus desejos mudam a cada dia. E são eles os alvos de minha máquina. Outro dia fui a um gueto e fotografei a gente de lá. Foi excitante.

David Bowman – Gueto? Eu moro em Nova York há mais de trinta anos e nunca ouvi falar de nenhum gueto, a não ser em uma canção de Elvis Presley. Em que espécie de lugar você esteve?

Natacha – Na parte de Manhattan em que existem aqueles prédios antigos. Pra mim, aquilo é um gueto.

David Bowman – Há um foto em seu livro que me chamou atenção: a do rosto de um rapaz com jeito de ter tido um orgasmo. Quem é ele?

Natacha – Meu ex-namorado. Um homem a quem sempre amarei. Nós transamos e ele teve mesmo um orgasmo. Eu estava com a câmara preparada, há muito esperava por um momento como esse.

David Bowman – O que seus pais acham de suas fotos?

Natacha – Meu pai, não sei. Mas minha mãe é pra frente. Ela entende o que faço e me estimula a continuar. Ela é maravilhosa. Eu imprimi algumas de minhas fotos e mandei pra ela pôr na sala de sua casa.

Natacha é assim mesmo, espontânea, direta. E simples: sua homepage (clique aqui para ir até lá) continua sendo cuidada por ela própria e quem quiser pode se inscrever em seu mailing list ou até mesmo encomendar uma das fotos do mês que, além de exclusivas e numeradas, trazem a sua assinatura.

Related Posts with Thumbnails
Ir para a página inicial do Repórter Net

2 to “A fotógrafa de si mesma. Nua e transando”


  1. joao carlos disse:

    muito boa as fotos nao sao banais,otimas

  2. Olá, João Catlos

    A moça é excêntrica, mas é uma grande artista. Fiquei muito feliz de você ter lido o artigo e gostado Volte mais vezes ao meu blog. Será um prazer revê-lo.

    Abraços



Deixe um comentário




Page optimized by WP Minify WordPress Plugin