A solidariedade da consciência negra
Ela, alva como como a neve, começa a cantar o Hino Nacional do Estados Unidos, durante uma competição esportiva.
Em dado momento, vacila. Erra a letra. Perde-se na música. Cai em prantos. De repente, ele entra em cena. Negro como a noite escura, sem lua, nem estrelas.
Ele, que, até bem pouco tempo, não podia macular com sua presença o racismo americano, pôe a mão ombro dela, entoa algumas notas do hino, passa-lhe sua energia negra e ela desencanta.
Preto no branco. Ou branco no preto. Pouco importa. O que se vê nesta cena é um exemplo de solidariedade – sentimento que se esvai na violência do cotidiano, seja no Iraque destruído pela ganância petrolífera de Bush, seja no espancamento da doméstica por seis pequenos grandes animais.
É um momento shakesperiano, em que um desconhecido transforma-se em verdadeiro “heroe”, praticando a máxima cristã “Amai a teu próximo como a ti mesmo”.
E a platéia, antes confusa, apóia o gesto, aplaude. O preto no branco, então, modela um espetáculo de cores deslumbrantes. Veja.
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