Cenas raras do festival de música de 1970
Poucos devem se lembrar dos grandes festivais de Música Popular Brasileira dos anos 60. A mania começou com a falecida TV Excelsior, no Rio de Janeiro.
Depois se solidificou na TV Record, em São Paulo. E virou atração internacional nas câmeras da TV Globo, tendo como palco o Maracanãzinho.
Elis Regina (Ah! que saudades.), Chico Buarque de Holanda, Gilberto Gil, Rita Lee, Gal Costa, Tom Zé, Sérgio Ricardo e outros monstros de nossa música se consagraram participando desses festivais.
Você pode ver quase todos eles em vÃdeos publicados no YouTube. Mas, o de 1970, quando Paulinho da Viola foi o grande vencedor, com a música Sinal Fechado, só tem um registro no site de vÃdeos do Google.
Assim mesmo, são cenas recortadas. Mas vale a pena recordá-lo. Para mim, em especial, foi um achado. Pois lá estava eu, junto com a jovem Eneida, minha parceira de composições.
Inscrevemos uma música chamada Clarice, que descrevia liricamente uma transa. Não acreditávamos que ela emplacasse. Até porque, no inÃcio, foi tirada da competição pela censura.
Para que ela concorresse, tive que mexer na letra. Defendida por Agnaldo Rayol (não foi ocantor ideal), para minha surpresa e de Eneida, Clarice ficou com o segundo lugar.
Em apareço no vÃdeo. Sou o da foto acima: cabeludo, de óculos escuros. Bons tempos aqueles, que, parodiando o poeta Casimiro de Abreu, “os anos trazem mais”.
Eis o techo da letra censurada de Clarice:
O corpo de Clarice me envolvendo
A vida me matando de Clarice
De meiguice, de tolice.
Do meio da noite, ao meio dia
Eu quero entrar em todo o seu amor.
Tema alguma coisa demais? Censura burra aquela da época do regime militar.
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