Ditos populares e seus significados – Parte 8

Mais um post da série para você colecionar. Na parte 7 apresentamos o significado de vários outros ditados, a exemplo de Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

O pior cego é o que não quer ver

Significado: Diz-se da pessoa que não quer ver o que está bem na sua frente.

Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

Andar à toa

Significado: Andar sem destino, passando o tempo.

Toa é a corda com que uma embarcação remboca a outra. Um navio que está “à toa” é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. Uma mulher à toa, por exemplo, é aquela que é comandada pelos outros.

Estar de paquete

Significado: Situação das mulheres quando estão menstruadas.

Paquete, segundo o Aurélio, é um das denominações de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava nele. Daí logo se vulgarizou a expressão sobre o ciclo menstrual das mulheres. Foi até escrita uma “Convenção Sobre o Estabelecimento dos Paquetes”, referindo-se, é claro, aos navios mensais.

Apressado come cru

Significado: Nem sempre fazer as coisas apressadamente dá bom resultado, pelo contrário.

Quando a expressão surgiu no Brasil (meados do século XIX) não era bem cru, era… você sabe. Na época, as pessoas não tinham nem carro, nem motéis e faziam amor de pé, na rua mesmo. E, na pressa, nem sempre acertavam o buraco certo.

Cutucar a onça com vara curta

Significado: Meter-se onde não deve, abusar da situação, estar em perigo eminente

Trata-se de uma brincadeira que faziam com Dom João VI, famoso por seu pinto pequeno. “Onça” era o apelido (entre os serviçais) de Dona Carlota Joaquina, que, dizem, batia muito em D. João, porque ele nem sempre gostava de abusar da situação sexual. Não se sabe ao certo se por causa da vara curta.

Fontes: Locuções Tradicionais no Brasil, de Luis da Câmara Cascudo, e Dicionário Brasileiro de Ditados Populares.

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Curiosidades

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