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Essa louca mania de correr nu em público

Em inglês eles e elas são chamados de streakers. Numa tradução livre, são pessoas que correm nuas em lugares publico.

Não são nudistas. O nudismo acontece em áreas restritas e é um estilo de vida. Também não são tarados porque não se excitam ao se aproximar de suas vítimas. São apenas exibicionistas inofensivos: gostam de provocar polêmica e divertem-se com suas façanhas.

A mais famosa imagem de um streaker é a do australiano Michael O´Brien. Aconteceu durante uma partida de rugby entre França e Inglaterra, em 1974, assistida por mais de 53 mil pessoas, inclusive pela princesa Alexandra.

Sem saber bem o que fazer, o policial inglês Bruce Perry cobriu com seu capacete as partes pudendas de Michael.

O primeiro, ou melhor, a primeira streaker surgiu em Londres, em 1966, na final do Torneio Winbledon de tênis masculino.

Mal Richard Krajicek e MaliVai Washington começaram a partida e Melissa Johnson, uma loura exuberante, de 23 anos, vestindo nada, lançou-se sobre a quadra, jogou beijos para a platéia, saiu aplaudida e foi batizada pela imprensa de a Lady Godiva do esporte.

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Por falar na respeitável dama do século 9, ela é o símbolo máximo dos streakers. Sua história é bem conhecida. Godiva pediu ao marido, conde de Mercia e Senhor de Coventry, condados da Inglaterra, que baixasse os impostos, pois seu povo estava sendo prejudicado. O conde concordou, desde que a mulher
Ela, muito atrevida, aceitou. No grande dia, todos de Coventry fecharam-se em suas casas. Só Tom, um alfaiate, deu uma espiadinha na intimidade de Godiva. Reza a lenda que, em conseqüência, Tom, logo apelidado de peeping (voyeur), ficou cego.

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Não foi o que sucedeu em Winbledon. Lá, as reações à ousadia de Melissa foram saborosas. Krajicek disse que o episódio deixou-o relaxado.

MaliVai não gostou. “Vi aqueles negócios balançando (os seios de Melissa), senti-me perturbado e três sets depois abandonei o jogo”, ele lembra.

O duque de Kent, em seu camarote, teve um acesso de riso, antes de ser retirado do estádio, às pressas, por dois guarda-costas. Provavelmente porque, dia seguinte, seu rosto radiante estaria nas páginas dos tablóides ingleses de escândalos.

O streaking como uma das mais estranhas manias da atualidade, teve origem mesmo nos Estados Unidos. Em 1974, jovens norte-americanos tiraram as roupas nos campus de suas universidades para celebrar a primavera e a revolução sexual.

Logo, colegiais de todo o país aderiram ao ritual, com mais atrevimento: pelados, eles assistiam às aulas, brincavam de roda nas estradas, jogavam golfe e pulavam de pára-quedas.

Dai em diante, a prática correu o mundo e passou a ser comum, principalmente em eventos esportivos. A idéia dos streakers era a de tirar uma casquinha nas imagens captadas pelas câmeras de televisão.

Na Austrália, eles causaram tanta confusão – o alvo eram os torneios de criquete – que o governo resolveu puni-los: 1 ano de detenção e multa de 5 mil dólares.

Não adiantou. Ao contrário, os streakers se multiplicaram. Há até mesmo os serial, a exemplo do inglês Mark Roberts. Em seu site, ele guarda suas 157 aparições – do jeito que veio ao mundo – que lhe valeram uma citação no Guiness Book.

streaker_superbowl

Uma de suas mais espetaculares proezas foi em 2001, numa prévia eleitoral dos democratas liberais da Grã-Bretanha. Ele apareceu, de repente, no auditório, só de boné, com a inscrição ´Ereção Geral´ gravada no peito.

Seguiu-se a de Winbledon, em 2000. A dona do espetáculo era a sensual tenista Anna Kournikova. Mas Mark roubou-lhe a cena. Anna, envergonhada, não teve outra alternativa, senão cobrir o rosto com uma toalha. Mark tumultuou também o concurso de Miss Universo de 2000.

A estratégia de Mark, para que ninguém perceba de pronto sua intenção, é simples: ele usa uma roupa semelhante à dos strip-teasers, fechada por um velcro – em segundos, fica nu.

São muitos os famosos do streaking. Alguns estão no ranking dos 20 mais de todos os tempos. Caso de Erica Roe. Depois de mostrar seus abençoados seios durante uma partida de rugby em Londres, em janeiro de 1982, a mídia não a deixou em paz. Resultado: ela agora cobra 5 mil dólares por entrevista.

Tem ainda Clare Holtby que saiu de Nova York para ser calorosamente recepcionada pelos espectadores de um jogo do campeonato inglês de futebol, de 2000. Na ocasião, ela revelou que decidiu exibir-se para checar a segurança do estádio.

Hilária é a participação de Julie Methven, no Aberto de Golfe da Inglaterra, em julho de 2000. A moça, só de shortinho e óculos, deu um calor nos compenetrados golfistas britânicos.

Mais petulante foi Diane Philips que interrompeu a final do Aberto de Sinuca da Inglaterra e tacou um beijo no desavisado campeão Peter Ebdon. Diane passou uma noite numa delegacia, mas anunciou que repetiria o gesto, sempre que pudesse.

A ilegalidade, segundo Doris McIlwain, professora de Psicologia da Universidade de Macquarie, em Sidney, é componente básico da extravagância sexual.

“Correr o risco de ser preso é uma boa, por causa da repercussão que isso tem. Se ninguém lhes desse importância, os streakers seriam uma raridade”, ela acha.

O serial streaker Mark Roberts confirma a tese.

“Fazemos isso para provocar aquele buchicho. Se não houver buchicho não há graça e se não há graça é tudo inútil. Há sete anos que a reação do público à brincadeira é a mesma: eles se espantam e caem na risada. Todos comentam meus feitos, com bom humor, até os policiais que me prendem, até mesmo os magistrados que me condenam “, ele diz.

Mark já perdeu a conta de quantas vezes ficou atrás das grades. Mas pensa que ele se aborreceu?

“Nem um pouco. Aproveitei para dar um show para meus companheiros de cela”, orgulha-se.

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