Mesa redonda com os cobras dos descobrimentos
Cabral – Ora, Camões, quereis muito além do que a época podia oferecer. Os médicos de antanho pouco sabiam de doenças e além do mais eram mal remunerados. Na minha armada embarcou um físico, o mestre João Faras, que fazia o que lhe era possível.
Camões – Vamos falar de coisas mais amenas. Poeta que sou, não poderia deixar de referir-me às musas – as mulheres que deram força às suas aventuras. Cada qual tem a Inês de Castro de sua vida.
Colombo – Minha musa foi minha mulher, Filipa Moniz, filha do navegador Bartolomeu Perestelo. Devo a ela parte de meu sucesso, pois Filipa sempre esteve a me incentivar. Com, ela tive dois filhos: Diego e Fernando.
Cabral – As más línguas comentam que dei o golpe do baú, casando-me com d. Isabel de Castro. De fato ela era rica, mas não foi por interesses que me uni a ela. Tinha-lhe grande apreço e admirava-lhe o caráter justo e corajoso. Vivemos felizes, em Santarém do Ribatejo.
Vasco da Gama - Casei-me e tive sete filhos com D. Catarina Ataíde. Fomos eternos amantes. Tire daí, pois, suas conclusões.
Magalhães - Nenhuma tive em toda a vida. Minhas musas foram os mares que singrei com meus navios.
D. Henrique - Por razões religiosas, mantive-me casto, solteiro e abstêmio. Musa, se assim posso dizer, era-me a sabedoria.
Camões - Os senhores se sentem recompensados por suas proezas?
Cabral – Apesar de ter tido a confiança de D. Manuel para a viagem à Índia e de estar a receber homenagens nas comemorações dos 500 Anos do Brasil, fiquei-me decepcionado quando perdi o comando da armada para Vasco da Gama. Passei o resto de meus dias afundado nas mágoas de não mais poder viajar.
Colombo - Deu-me prazer abrir as portas do Novo Mundo. Mas morri frustrado por não me terem dado o direito às terras por mim descobertas.
Magalhães – Faltou-me completar a circunavegação, o que o fez meu dileto capitão, Sebastião del Cano. Não me foi justo também morrer em terra, em luta com os nativos de Cebu (Filipinas).
Vasco da Gama – D. Manuel nomeou-me almirante do mar da Índia, ganhei a nobreza e fui investido do título de vice-rei por D. João III. Que mais poderia eu querer?
D. Henrique – Bastou-me a criação da Escola de Sagres e de ter vivido cercado pelos mais renomados cartógrafos e navegadores de minha época.









