O amor no tempo dos alquimistas
A cena é incomum: um homem e uma mulher ao redor de um estranho forno, que transmuta a matéria-prima – uns gramas de sêmen, a que eles chamam de ovo cósmico – contidos num recipiente de barro.
Ansioso, o casal aguarda o milagre da criação hermética: a Pedra Filosofal.
No pequeno e escuro espaço onde se encontram, a única luz visível é a de seus olhos.
Eles emitem finos raios ultravioletas que se interpenetram, e geram a chama de uma paixão arrebatadora.
Quando acontece o fenômeno, o casal não é mais macho e fêmea mas um único ser, andrógino, capaz de mergulhar nos mistérios do Universo e sintonizá-lo em toda a sua beleza.
Muito mais do que transformar vis metais em ouro ou água em elixir da juventude, os alquimistas se empenhavam na construção de um mundo perfeito, onde reinariam absolutos, como produtos de seu amor, a paz, a harmonia e a solidariedade.
Numa época em que os casamentos eram feitos por conveniência e o sexo reprimido, os alquimistas ameaçavam com suas práticas os padrões morais e principalmente os dogmas católicos.
Eles promoviam a síntese do conhecimento com o objetivo de alcançar a iluminação, por meio do desenvolvimento de certas glândulas cerebrais que propiciavam o intercâmbio entre o divino e o terrestre. E o amor era a passagem de ida e volta para essas extraordinárias viagens.
O amor estava presente em tudo e surgia para os iniciados, empacotado em contos e poemas. O mais famoso de todos os alquimistas, o médico suíço Theophrastus Bombastus von Hohenheim, mais conhecido como Paracelso, versejou para a eternidade:
Quem nada conhece, nada ama. Quem nada pode fazer, nada compreende. Quem nada compreende, nada vale. Mas quem compreende, ama, observa, vê. Quanto mais conhecimento houver, tanto maior o amor. Aquele que imagina que todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo, como a cereja, nada sabe a respeito da uvas.
Você pode gostar também de:
Ir para a página inicial do Repórter Net
