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O pobre é pinguço, o rico é boêmio

Antes de mais nada, quero revelar que sou um alcóolatra adormecido. Isso significa que bebi descontroladamente durante muitos anos. Em conseqüência, perdi emprego e amigos, abandonei a família, fui morar na rua e quase bati as botas.

Um dia, porém, parei de beber. E lá se vão quase 32 anos que não ingiro nada que contenha álcool.

As experiências que tive, tanto na ativa quanto na reserva do alcoolismo, não me conferem qualquer diploma de autoridade no assunto. Mas me dão o direito de expor o meu ponto de vista sobre esse mal que mata mais do que o fumo e infartos.

Caídos Nas Calçadas

Costuma-se associar alcoólatras com a classe pobre. A sociedade os rotula como pinguços, bêbados, safados ou pau-d’águas. Eles estão caídos nas calçados ou abraçados a postes.

Embora inexistam estatísticas oficiais, posso asssegurar que há muitos alcoólatras na classe média, média alta e rica. A diferença é que estes são chamados de boêmios e tombam nos tapetes persas de suas belas casas, apartamentos de luxo ou mansões.

A situação é mais ou menos a mesma quando se trata de criminosos. Os traficantes da favela, por exemplo, geralmente vão presos usando apenas calções ou sungas. São colocados em celas superlotadas ou então somem misteriosamente.

Por sua vez, os traficantes abastados, quando presos, estão vestidos com ternos feitos sob medida, bem barbeados e perfumados. Vão para prisões especiais e, com raríssima exceções, em um ou no máximo dois dias ganham a liberdade.

Problemas Financeiros

Voltando ao alcoolismo, costuma-se dizer que uma pessoa bebe descontroladamente, em razão de problemas financeiros, de personalidade, de conflitos emocionais e por aí vai.

Esses fatores, em alguns casos, podem levar certas pessoas a enfiar goela adentro altas doses de cerveja, uisque ou cachaça pura, dependendo de quanto dinheiro elas têm no bolso.

No entanto, eles não explicam por que algumas delas, a partir daí, iniciam uma desastrosa carreira alcoólica e outras não. Portanto, os fatores em questão não são, na minha opinião, as causas primordiais do alcoolismo.

E quais são, você perguntará? A meu ver, são duas: o gostar de beber e uma pré-disposição orgânica (talvez de origem genética) para consumir álcool aos borbotões.

Para o alcoólatra, a bebida, em princípio, gera benefícios. Se for uma pessoa tímida, logo estará folgazão. Se for alguém que tem medo de se envolver em uma briga física, logo contará bravatas e se comportará como uma fera.

Círculo Vicioso

Dá para perceber que daí em diante se formará um circulo vicioso: o beber, a reação legal ao ato e, portanto, o beber mais, até que o indivíduo nessa condição desenvolva uma dependência física.

Eu uma das reuniões da irmandade Alcoólicos Anônimos, da qual sou membro, ouvi uma historinha muito interessante.

Cinco adolescentes foram junto a uma festa no carro de um deles e tomaram umas e outras. Quando aacabou a farra o dono do carro tinha desmaiado, três cambaleavam. Apenas um que bebeu tanto quantos os outros pegou o o volante e deixou cada um de seus amigos suas respectivas casas.

Se você estivesse presente à cena, poderia dizer que tinha vistos quatro bêbados e uma rapaz responsável. Eu diria ao contrário: vi quatro bebedores normais e um alcoólatra.

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14 to “O pobre é pinguço, o rico é boêmio”


  1. brilhanteideia – amigo joão – vai ajudar muitas pessoas

  2. Rodrigo Piva disse:

    Primeiro, parabéns pela coragem de abordar o tema citando o próprio exemplo. Quem sofre deste problema dá ouvidos à quem passou pela mesma experiência, acredito eu. E a sociedade realmente faz essa distinção em função da conta bancária, o que é absurdo. Parabéns e continue a abordar o tema, João. Pode ter certeza que muitos tomarão como exemplo sua superação.

    Abraços

  3. Espero que sim, amigo. Obrigado pela visita.

  4. Olá, Rodrigo

    Obrigado pela força, Rodrigo, Então vote pelo sim.

    Abs

  5. João!

    Tem todo meu apoio. E, como bem achamos, o ex-bebedor problema é a maior autoridade sobre o assunto.

  6. Darcy Mendes disse:

    Esse é uma que atinge muitas famílias. Digo famílias porque nesse caso a família toda sofre.
    É um assunto melindroso. Quem bebe acha que ninguém tem nada a ver com isso.
    Parabéns pela coragem de se expor dessa maneira e principalmente pelos 32 anos de abstenção.

    Abraços e pode continuar com o assunto que estaremos acompanhado!

  7. É verdade. Obrigado pelo estímulo. Vou continuar, então.

    Grande abraço

  8. Caro amigo,

    Se você soubesse quantas famílias sofrem com o alcoolismo! Obrigado pelo estímulo e pela visita.

    Grande abraço

  9. Rodrigo disse:

    Pois é João também penso que o problema do alcoolismo seja genético. Não bebo pois tive vários maus exemplos na família e pessoas próximas. Nunca achei graça em sair para beber, sempre fui aquele que trazia os amigos embora bêbados ou não deixava que eles saíssem quando estava de porre. O problema é que no outro dia eu era o único (chato) que dizia para o bebum, te liga da próxima eu posso não ta por perto e as outras pessoas batendo nas costas do bebum e meio que incentivando a bebedeira, ou seja, eu como já tinha um pe atrás com o álcool passava por chato os outros por legais. Mas tudo bem o importante é que muitos ficaram bem.
    Um abraço,

  10. Olá, Rodrigo

    Aimda bem que você não entrou nessa. É um inferno. Em breve estarei publicando mais um post sobre o assunto: um resumo da minha trajetória como alcoólatra ativo.

    Abraços, obrigado pelo comentário e pela visita.

  11. assisj29 disse:

    João,
    Parabéns pela coragem,posso afirmar o quanto é difícil essa situação,pois vivi esse problema em minha familia,é um assunto que me causa profunda angustia,mas temos que usar as lições que a vida nos dá,para crescermos espiritualmente.
    Continua sim as publicações sobre o assunto,pois você tem autoridade para falar do assunto,que é deixado de lado pela grande mídia.
    Um grande abraço amigo.

  12. Olá, Assis

    Obrigado pelas palavras de estímulo. Sinto muito que a mesma coisa tenha acontecido em sua família. Breve, vou dar continuidade ao artigo.

    Grande abraço

  13. Ju disse:

    Já passamos por isso em minha família, infelizmente a pessoa ja se foi e acho sempre importante que depoimentos, exemplos como o seu sejam abordados para de certa forma ajudar, dar força aos que passam por isso. Parabéns por sua força de vontade.

  14. Antonio disse:

    Parabéns pela coragem de se revelar como um ex alcoolatra, sua historia e outras iguais deveriam ser debatida colocada em palestra escolares com certeza diminuiria em muitos a vontade que muito jovens tem de se envolver com o alcool.Ja que foi constatado que inumeros problemas são realacionado diretamente ao alcool, seja acidentes,brigas homicidios,além é lógico da disssolução das famílias.Mais uma vez parabéns por sua força de vontade e coragem de divulgar seu problemas que é o de muitos.



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