Que saudades da vida de antigamente!
Que saudades da minha infância, que o tempo escondeu, não sei aonde! Naquela época, por volta dos anos 50, a vida em família era bem mais tranquila do que hoje – não havia estresse, pressão alta, infartos.
Não havia, por exemplo, tanto corre-corre. Geralmente, a gente andava a pé porque não havia muitos carros – bonde era o melhor e mais divertido transporte.
As ruas eram de paralelepípedos e brincávamos nelas de roda, pega-pega, esconde-esconde, passa anel, barra manteiga, bolinha de gude e por aí vai, sem correr perigo de acidentes ou de assaltos.
Não se via um mendigo pedindo esmolas. Dormíamos com as janelas abertas – nem sinal de ladrão.
Minha tia, que me criou, matava galinhas e porcos no quintal de casa, onde colhia também verduras e legumes de uma horta que os mais velhos cuidavam.
Que saudades daquela cidade carioca de manhãs fagueiras, de moças prendadas, mas também faceiras.
Que saudade das das noites de estrelas, tão belas que ao vê-las, a lua se espantava, e refletia o espanto sobre os namorados, todos abraçados sob o mesmo manto, onde o amor nascia.










