Toda a magia do Iraque
O palco é o mesmo, o espetáculo é que mudou. O que o mundo chama hoje de Oriente Médio, e onde se desenrolam violentos combates religiosos e polÃticos, foi, há séculos, o berço das primeiras grandes civilizações, de deuses poderosos e até da Astrologia.
É para lá, para aquela época de esplendor, que vamos levar você. Aproveite bem a viagem porque se as profecias do mago francês Nostradamus estiverem corretas é nesse local que começará a Terceira Guerra Mundial.
Há 6 mil anos, o Oriente Médio, mais especificamente o Iraque, era um vale fértil, conhecido por Mesopotâmia, palavra que significa entre rios – entre os rios Tigre e Eufrates.
Lá, pela primeira vez na história, um povo, os sumérios, deixou de ser nômade e de viver da caça e da pesca. Os sumérios fixaram-se na terra, domesticaram ovelhas e cabras, cultivaram o trigo e a cevada e inventaram técnicas de irrigação.
Eles construiram belÃssimas cidades – a capital chamava-se Babilônia- criaram formas de governo, com leis e classes sociais. E, mais importante ainda: inventaram a escrita, que em princÃpio era usada para narrar as façanhas de seus reis.
Primeiras escolas
Os sumérios criaram ainda as primeiras escolas, onde os alunos aprendiam a escrever, gravando os sinais cuneiformes (em forma de cunha) em placas de argila.
Eles desenvolveram também o comércio com outros povos e, assim, conseguiram exportar seus conhecimentos. Logo surgiram outros idiomas e a escrita foi se aperfeiçoando. De ideográfica (cada desenho representava uma coisa) passou a silábica, com aproximadamente 350 sinais.
Os sumérios fizeram também notáveis progressos na metalurgia, na lapidação e na escultura. Na arquitetura, criaram o zigurate, templo de forma retangular com terraços ligados por rampas ou escadas. Como a região não era rochosa, inventaram o tijolo.
Sumérios e outros povos mesopotâmicos conheciam também a matemática. Sabiam multiplicar, dividir e até extrair raiz a raiz quadrada e a cúbica. Usavam os sistemas decimal e duodecimal e davam especial importância ao número 60 (mÃnimo múltiplo comum de 10 e 12), o que originou o sistema sexagesimal, utilizado na subdivisão da hora em minutos e segundos.
Signos do ZodÃaco
Os caldeus, outro povo que viveu na Mesopotâmia, superaram os sumérios como cientistas. E o céu mesopotâmico, hoje cortado por mÃsseis, era objeto de demorada observação, que valei aos caldeus invenções como a semana de sete dias e a divisão dos dia em 12 horas duplas, de 120 minutos cada.
Os caldeus traçaram ainda as primeiras cartas astronômicas, estabeleceram a distinção entre planetas e estrelas e desenvolveram técnicas que permitiam prever eclipses com absoluta exatidão. Foram eles que determinaram os doze signos do ZodÃaco.
Dois povos do Oriente Médio herdaram dos babilônios grande parte de seu saber. Um deles foram os hebreus, que viviam onde se localiza atualmente o Estado de Israel.
O calendário judaico, por exemplo, é de origem babilônica. E os fenÃcios, que habitavam um pedaço de terra onde hoje é o LÃbano, inventaram o alfabeto europeu ocidental – o que nós usamos.
No plano social, a herança maior deixada pelos mesopotâmicos foram as leis sumérias que inspiraram um famoso código jurÃdico: o Código de Hamurabi (rei assÃrio), com seus 250 artigos e leis, que vigorou durante 15 séculos e cuja máxima era: “Olho por olho, dente por dente”.
Verdade da vida
A Mesopotâmia tembém exportou religião. Quando a Babilônia era a cidade mais importante da Caldéia, Marduqe (o planeta Júpiter) imperava como o deus mais importante – embora os povos da região tivessem praticamente um deus para cada coisa.
Cada uma dessas divindades era capaz tanto de fazer o bem como o mal, ao contrário do que pregaria o Cristianismo, quatro milênios depois.
Shamash, por exemplo, o deus do Sol, dava luz e calor, mas também podia secar o solo e queimar plantações. Por isso, os homens tinham pavor de seus deuses. Para acalmá-los, rendiam-lhe homenagens, faziam sacrifÃcios de animais e depositavam oferendas em seus templo.
O mundo despertava assim paea a verdade da vida e para os mistérios dos céus. Um legado que serviu de base para a cultura de todo o Ocidente e que sobrevive ainda em nossos dias. Até quando?
Ir para a página inicial do Repórter Net








