Uma canção para os blogs brasileiros
O título é, de certa forma, para chamar a atenção para um fenômeno inexplicáve: as “coisas” que são tocadas nas rádios brasileiras.
Digo “coisas” porque música não é. Música, segundo a definição número 1 do Aurélio, é “a arte de combinar os sons de modo agradável ao ouvido”. E isso não vem acontecendo. Pelo menos, eu estou ficando surdo.
Tem mais: toda música, em seu sentido mais popular, tem que ter melodia. Letra é um acessório. Mas se letra tiver, tem que ser algo que Chico Buarque, por exemplo, não core de vergonha se, por algum motivo repressor, tiver de assinar como de sua autoria.
O que se ouve por aí é qualquer coisa que se propaga pelo ar, como digamos, um pum, menos música.
Melodia não existe. As letras são banais e repetitivas. Dignas de seus pseudo cantores – a maioria desafina, analasa, grita, fala. Mas não canta, não interpreta.
Cantar? Vá lá que alguns consigam. Mas interpretar? Ora, para interpretar é preciso saber o que é interpretar.
E a grande maioria dos “jovens talentos” atuais, despejados com uma facilidade incrível no mercado pelas gravadoras, desconhecem que interpretar, no que se refere ao mundo artístico, é absorver com grande intensidade o conteúdo de um texto.
E tal inexiste. O que tenho – com uma agonia no estômago – ouvido por aí são grunhidos e sons fanhos.
Voltando ao título deste post, na verdade, não o fiz só para chamar a atenção. Imaginei, sim, uma letra para os blogs.
Quem quiser que coloque nela uma melodia qualquer para que eu não fique por fora do grande momento que vive a nossa MPB. Anote:
Blogue, o que é isso?
É vício amigo
Mas que perigo!
Blog é poesia
É insolência
É saber demais
Pela notícia
Quem bloga bem
Tem mais cartaz
Pode ser iBest
Mas se errar a cesta
Pode ser iBesta
Blog torto
É blog morto
Mas como é bom blogar
Arrepiar nos posts
Fazer suspense
Com a grana do Adsense
Festejar um furo
E abir o coração
Porque blog, irmão
É a mídia do futuro










