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Violada em pleno auditório

Acho que quase ninguém lembra do Notícias Populares (o NP), polêmico jornal paulistano da década de 60, fundado pelo jornalista rumeno Jean Mellé, e batizado pelos profissionais de imprensa da época como “espreme que sai sangue”.

Pois bem, o NP ficou famoso por suas manchetes sensacionalistas, e, por isso mesmo, tornou-se um campeão de vendas em bancas.

Lembro-me de um dos festivais de música da Record, em que o cantor e compositor Sérgio Ricardo, indignado por receber vaias pela sua música Beto Bom de Bola, mandou todo mundo para aquele lugar e quebrou seu violão.

Dia seguinte, lá estava a maldosa, mas criativa e verdadeira manchete do NP: Violada em pleno auditório.

sergio_ricardo_violada
Cantor Sergio Ricardo quebra violão
em Festival de MPB da TV Record

Em 1968, Roberto Carlos sumiu da TV Record, onde apresentava o Jovem Guarda. O diretor da emissora, Paulinho Machado de Carvalho, informou a um repórter do NP que não sabia onde estava o Rei.

Quando o caso foi levado a Mellé, ele soltou a manchete: Roberto Carlos deixa a Record.

À tarde, centenas de tietes do Rei cercaram a redação do NP em busca de notícias sobre seu ídolo. Revoltado, o diretor da Record exigia um desmentido, mas Mellé, apenas manchetou, no dia seguinte: Roberto Carlos aparece na Record.

Por conta do episódio, o jornal vendeu quase 20.000 exemplares a mais e Mellé manteve sua fama de mau.

Lendo histórias do gênero chego à conclusão de que hoje o jornalismo esfriou.

Com raríssimas exceções, pouco se vê de investigativo em nossos periódicos – quase todos são papel carbono: o que sai em um sai em todos.

A diferença entre o Estadão e a Folha, por exemplo, está na oferta comercial: leve um exemplar e ganhe um DVD ou compre o jornal e leve um CD do fulano de tal. Isso significa que ninguém está mais comprando o conteúdo, as matérias, os artigos, as análises.

Não é minha intenção ferir a respeitabilidade desses meios de comunicação tradicionais, mas, sim, imaginar que eles estão carentes de repórteres talentosos, como Moisés Rabinovici, Fernando Portela, Marcos Faerman, Dirceu Soares, Edison Brener, Antônio Carlos Fon, Percival de Souza, Valdir Sanches, Hamilton de Almeida e outros que marcaram seus nomes nos anos 60/70.

Para não me alongar mais porque sei que você, leitor, não gosta de muito blá-blá-blá, selecionei abaixo algumas das melhores manchetes do NP.

noticias_populares

O penta que pariu

Kombi era motel na escolinha do sexo

Aluno é expulso por causa do chulé

A morte não usa calcinha

Violada em pleno auditório

Aumento de merda na poupança

Bicha põe rosquinha no seguro

Churrasco de vagina no rodízio do sexo

Nasceu o diabo em São Paulo

Zé do Caixão vai caçar bebê-diabo no Nordeste

Mulher mais bonita do Brasil é homem

Bela moça dá à luz um macaco

Milene engravida na primeira bimbada

Dono do gato vira tamborim

Quebrou o pau no Morumbi

Espírito de porco baixa em macumba

Broxa torra pênis na tomada

Nota de rodapé: este post já foi publicado faz algm tempo com outro título. Mas, estava mudando meu blog de servidor e o link foi para o brejo. Por isso, estou reeditando-o.

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3 to “Violada em pleno auditório”


  1. Como me lembro do NP! Suas manchetes eram um festival de bizarrices. E na década de 70, quando a população ficou assustada com aquela manchete que o “bebê diabo poderia estar em cima do seu telhado”?

  2. Também me lembro! E desse episódio com o Sérgio Ricardo, sou um dos remanescentes vivos que presenciei pela TV, direto.
    Sérgio Ricardo não conseguia cantar dado às vaias que tiravam sua concentração. Ele meteu o violão contra um pedestal que por ali estava (a foto mostra) e pelo chão deixando o palco e gritando “Vocês venceram, vocês venceram”

  3. sergio disse:

    é pessoal, hoje o papel carbono é o programa do ratinho. Quem não se lembra do homem grávido que deu o maior ibope…..



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